h1

Pequeno pensamento íntimo registrado em uma folha de rascunho e publicado meses depois neste blog com a intenção de guardar apenas a saudade

16 de Janeiro de 2015

Ainda havia vida guardada por trás dos papéis na parede do meu quarto. Vida oculta, disfarçada de poesia mas que conhecia o meu íntimo por tantas terem sido as vezes em que ouviu a música semanal em volume quase ensurdecedor vibrar em riffs de guitarra e acordes em dó maior de uma velha bossa-nova. Ouviu meus desabafos como uma grande melhor amiga, meus choros e reclamações; ouviu-me implorar para que o sol fosse embora e a noite trouxesse alguma brisa que refrescasse o quarto e a alma. Viu-me chorar, sofrer, ser menina e ser mulher; morrer e renascer a cada sentimento que surpreendia meu coração. Viu o meu amor pelo outro amor, e nada fez além de me amparar e mostrar o caminho a seguir com palavras que brotavam aos meus olhos a cada lágrima, fossem elas de alegria ou de tristeza. E agora que tirei toda a poeira acumulada nos quase dois anos de poesia que em tantas noites preencheu o meu sono, dei-me conta de que assim como minha alma, as paredes também ficaram marcadas.

E talvez não tenha sido apenas pelo resquício da cola do durex.

IMG-20141121-WA0010

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: